quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Eu Mitológica


Eu fechei os olhos e de repente estava em uma praia deserta. O céu estava nublado e as ondas nem tão calmas, nem tão bravas, estavam no meu ritmo.
O vento batia em meus cabelos e meu rosto sentia a maresia.
E eu, sempre caminhando naquela areia deserta; ora olhando pro céu cinza, que me dava muito prazer em olhar; ora olhando para as ondas; ora fechava os olhos. Mesmo quando eu fechava os olhos continuava a ver aquela praia exatamente como ela estava, todos os detalhes.
Ao fundo, tocava uma música que simplesmente ... tocava. Sem caixas de som, nem instrumentos locais, simplesmente estava tocando.
Meu corpo começou a balançar suavemente no ritmo daquela canção que era cantada por uma voz masculina, suave, envolvente e que acompanhava perfeitamente a parte instrumental.
Levantei minha cabeça, dei uma ultima olhada para aquele céu cinza, fechei os olhos e continuei a vê-lo e me balançando suavemente com os braços no mesmo embalo.
Um vento com cheiro de natureza empurrou meus cabelos até meu ombro esquerdo e no meu ombro direito senti uma face se debruçar.
Senti mãos masculinas que deslizaram nas minhas costas e pousaram na minha cintura, essas mãos começaram a me embalar na canção que estava permanente no ar ou, talvez, minha cintura que as coordenavam.
Senti minha pele, já beijada pela maresia, se arrepiar com um beijo do homem misterioso, que continuava a me seguir naquela dança.
Um outro vento bateu, com um movimento de jogar a cabeça para trás, nossos cabelos se juntaram. Coloquei minhas mãos em sua nuca e a dança continuou.
Aquela praia era só nossa, me dei conta de que nossos corpos e a praia eram um só.
O fim da tarde já estava caindo sobre tudo e sobre nós dois. Eramos dois estranhos, sem ser estranho um para o outro.
As folhas dos coqueiros roçavam uma nas outras, o mar vinha e voltava beijando a areia, a música mexia nossos corpos e o céu cinza me inspirava.
Fizemos amor centenas de vezes e dopois adormecí.
Abri os olhos e acordei do paraíso.