quarta-feira, 28 de abril de 2010

Um título para o meu samba

Difissílimo escrever a história de um samba ,se eu escrevesse um. Não sei se falaria de amor, de infância, amigos, vida, do próprio samba, do outro lado da janela, de um olhar marcante, da juventude ... eu pensaria em tudo isso ao mesmo tempo, e seria injusto falar do perfume de uma flor sem falar de seu jardim.
Pois bem ... e se eu tentasse falar no meu samba escrito, cada um desses poréns? Falar de amor seria legal, pena que eu conheço tão pouco dele, eu diria tudo sobre seus planos e peças, suas batalhas ganhas e perdidas, falaria do amor como ninguém mais já escreveu , palavras que nunca foram ditas.
Ah! Infância! Seria a parte mais doce de um samba, pois quando estava lá não sabia o que era problemas nem pressão, não havia palavras reguladas, não havia mentira, qualquer coisa servia pra ser feliz. Hoje somos todos regrados, rotulados, analizados, comprados, namorados, escravizados...e uma pontinha infeliz.
Se eu acho que tudo isso seria difícil ... na verdade é só uma palhinha da dificuldade, nada seria mais complicado do que tentar dizer dos amigos em um samba. Como eu descreveria aqueles que foram, por muitas vezes, pais e mães meus, como resumir aqueles que ,por muitas vezes, foram meus irmãos, como resumir aqueles que já me seguraram na dor, que nunca me deixaram fora das alegrias, impossível descrever em um samba aqueles que fazem todos os meus dias.
Vida... quem disse que alguém sabe dela de verdade? Eu tento sobrevivier a ela todos os dias, antes de dormi eu penso nela, penso nela antigamente, quem sabe viver, vive, não olha o amanhã com medo do que vem por aí, a vida é bela, basta olhar o seu autor, mesmo com alegria sobreposta à dor, vida é vida!
Falar do samba, deixo pra Benito Di Paula, à quem eu devo todas os rítmos brasileiro, nosso mestre verdadeiro do samba, tão fino e elegante, aqueles tempos antigos é que sabiam o que era os verdadeiros sonetos cantados em um samba.
Mas hoje em dia é tão difícil ver o que é a verdade ou não, muitos vivem em seus pensamentos, muitos formados por ilusão, o outro lado da janela, poucos vêem, a aurora bonita ou não, a aurora rosa ou cinza, realmente poucos vêem,o que poucos sabem é que pra fazer um belo samba o outro lado da janela importa também.
Se eu fosse falar de um olhar marcante, eu iria me entregar! Minhas palavras seriam chocantes pra descrever os olhos que vêem em minha mente! Eu ficaria sem graça, porque como já dizia Dom Casmurro - "Olhos de ressaca, não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra de dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram" - , prefiro guardar em minha mente o que nunca ninguém saberá , o que eu tive que ver para crêr, nunca me disseram.
A juventude seria algo que eu deixaria pra escrever em qualquer outro rítmo, somos rebeldes e destemidos, me perdoe sonhor do samba, mas nós da juventude não temos as suas experiências, somos jovens, maduros ,talvez, mas a graça do samba é ouvir a canção de quem já viveu, sobreviveu, lutou, ganhou , realizou. Nós somos feitos de tudo isso, mas não podemos dizer com tal emoção, senhor do samba.
Não consigo nem se quer escrever um soneto dizendo dos meus próprios sonhos, quem me dera, meu Deus, dominar versos em um Samba!

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