quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A brincadeira que não teve graça

Eu nunca quis fazer o mesmo com você. Talvez um pouquinho. Mas mesmo se tivesse feito, não conseguiria ter sido tão igual à você.
Nos fizeram pagar por tudo que nunca havíamos cometido na vida, tão cedo e já estávamos lá, pagando.
Nos seguiram até o recreio, depois até a sala de aula e , por último, até a saída. Até o orelhão mais próximo, chacotas. Depois que se foram, lágrimas. Ninguém viu, eu não deixei que vissem.
No dia seguinte, gozações, perseguição e chacotas.
E no dia seguinte também, e no outro, e no outro, e no outro.
O dia de Cão. O ápice das vergonhas, das humilhações chegou, e esse dia foi desde o primeiro até o ultímo para quem esteve neste lado da situação.
Noites preocupadas, uma dorzinha de cabeça, uma birra mal interpretada pra não ir para a escola. Mais cedo ou mais tarde teríamos que retornar à ela e esse momento acabou se transformando em nossos piores pesadelos.
Nós ressentimos tudo e , por sua causa, nos tornamos o patinho feio. Não fomos o porta-voz da turma, não fomos os noivos da quadrilha e nem o primeiro da classe.
Fomos os que tiverem a paz roubada e escondida. Os que foram apagados, mas, expostos ao ridículo.
Muitas mascaras caíram dos rostos de alguns amigos, se é assim que devo referir-me.
Os ponteiros do relógio estavam sempre no mesmo lugar a cada vez que nós olhávamos. Ouvíamos as mesmas vozes ao fundo : __ Acabem com ele!!!!__ , diziam eles.
Os gestos pelas costas, os aviõezinhos que sempre erravam o alvo diretamente na nossa cabeça, as bolinhas de papel com as 'doce' mensagens do grupo ao lado.
Foi a maneira como a gente pagou.
Alguns de nós deram a volta por cima, outros ficaram marcados , alguns de nós perdoou.
É difícil esquecer. Nós jamais vamos nos esquecer.
Sua intenção foi cruel, sua virtude foi colocada em questão.
Agora a nossa virtude coloca a sua cara à tapa, porque amar ao próximo como ele jamais conseguirá te amar é uma virtude para poucos.

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